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O aumento significativo de atletas nas provas de distâncias longas e o interesse manifestado por muitos em provas ultra, no ano de 2008, fez-me pensar e reflectir sobre esta temática. Penso ser um tema interessante.
Talvez por já termos corrido tanto e por sabermos que como seres humanos somos complexos, tenhamos curiosidade em ir sempre mais além... Aprofundar o dia-a-dia, a vida, as ideias, e os sentimentos de personagens lúcidas que somos e nas quais nos reflectimos consegue ser compensador. Por outro lado, descobrir novas terras, novas serras, novas montanhas, que nos alertam e dão prazer (dada a irrealidade quase ficcional e stressante da vida diária), para além de tudo consegue prender-nos como qualquer outra actividade, só que esta é composta por vários factores lúdicos e interessantes, há uns anos inimaginável em Portugal.
Mas, por vezes a rotina também cansa, e há quem goste de partir para novo locais, novas provas, seguir outros amigos, regidos por outras regras, nem que para isso passem a correr de mochila às costas e carregados de líquidos e sólidos, enfim, um mundo que evoluiu e constitui um refúgio onde nos podemos abstrair, ou até esconder, da nossa vida e dos nossos problemas. Somos levados pela mente, guiados pela imaginação.
Mas, o que é que está a mudar na nossa mentalidade, que nos faz atrair para o mais difícil e duro?
Existem, no entanto, corridas que ultrapassam a nossa imaginação. Em muitas delas encontramos factos verdadeiramente novos, quase inacreditáveis, pormenores que não podem ser conjugados com o nosso mundo e aos quais a nossa mente nunca chegaria, já que foram criados por uma mente individual e criativa para nos levar aos limites do aceitável. Nelas aprenderemos sempre, para contar aos outros como foi...no fim sentimo-nos heróis de nós próprios.
Porque muitos de nós sonham neste momento em fazer 100 kms na Madeira com desníveis de outro mundo? algo, há meia dúzia de anos considerado um atentado para o nosso organismo!
Será que gostamos de sofrer? Ou somos ultra maratonistas em expansão e estivémos adormecidos até hoje?
Nestas corridas podemo-nos perder, esquecer que existe um mundo real com regras e problemas, pois tudo é diferente e fantástico. Seja qual for a corrida que façamos, ela permite-nos sempre encontrar novas perspectivas e novos conceitos sobre a corrida a pé, fazendo-nos crescer. Com a corrida é possível abstrairmo-nos da nossa vida e viver outras, como se trocássemos de corpo e de alma. Por isso mesmo podemos dizer que o Homem é um peregrino sem limites, sempre à procura de mais.
Continuamos a sonhar com novas experiências, novas visões, novos mundos!
__________________ Eduardo Santos - É Ultramaratonista português
Edição de Eduardo Santos : 21-07-2007 às 00:07.
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